Archive for the 'Arte' Category

Pensamento I

correnteza

Ancorado ao vento amarrei meu pensamento no vento que não mais soprou
Vivi achando que o tempo pudesse ser como eu, como você
Vida, me ensinou das coisas lindas que vimos passar
E aqui estou, hoje pensando de um tudo
A morrer amanhã e a aprender como se tudo fosse pra sempre

Espelho

“Nascido no subúrbio nos melhores dias
Com votos da família de vida feliz
Andar e pilotar um pássaro de aço
Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço
Com as fardas mais bonitas desse meu país
O pai de anel no dedo, o dedo na viola
Sorria e parecia mesmo ser feliz…

Eêê… Vida boa, quanto tempo faz…
Que felicidade, e que vontade de tocar viola de verdade
E de fazer canções como as que fez meu pai…”

“Eêê… Vida boa, vai no tempo vai…
Ai, mas que saudade
Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
E orgulho de seu filho ser igual seu pai
Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar…”

Paulo César Pinheiro e João Nogueira

Projeto incentiva motoboy a fotografar SP

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O motoboy Luiz Fernando Bicchioni, que mantém a câmera fotográfica ligada para registrar cenas do cotidiano da cidade.

Reportagem da Folha

A alegria durou pouco. Foram cinco dias entre a estréia da instalação canal*MOTOBOY, no CCSP (Centro Cultural São Paulo), no mês passado, e a queda de um balão no teto da biblioteca do edifício, em cima de onde estava a instalação.
Mas o mural de 8 m voltou a ser exibido anteontem. Nele estão as fotos dos 12 motoboys de São Paulo escolhidos pelo artista plástico catalão Antoni Abad para o projeto Zexe.net.
Com uma câmera de celular fornecida pelo artista, eles registram o cotidiano da cidade com fotos e vídeos.
Abad já realizou o mesmo projeto com prostitutas em Madri, deficientes físicos em Barcelona e ciganos em León (cidade da Espanha). Para ele, o projeto permite modificar a “imagem ruim” que a sociedade tem dos motoboys. “Ao se expressarem, estão criando uma nova representação deles”, diz.
A continuidade do projeto, como ocorreu em Barcelona, onde os deficientes físicos fotógrafos fundaram uma ONG, é outro ponto de orgulho para Abad. Eliezer Muniz, 40, ex-motoboy e curador-adjunto do projeto, afirma que um dos méritos do canal*MOTOBOY é ter agregado profissionais que têm, em comum, a vontade de ver a atividade regulamentada.
O motoboy Luiz Fernando Bicchioni, 37, deixa a câmera do celular sempre ligada. “Uma vez vi um acidente e parei para fotografar. Quando me dei conta, vi que meu cunhado estava envolvido.” Adriana Maria de Oliveira, 30, única mulher do grupo, conta que mudou seu olhar. “Vi que tem muita coisa errada, tanto por parte dos motoristas como dos motoboys.”

Arquiteto dá valor aos detalhes no museu Iberê

Mario Gioia – Reportagem da Folha

“Mais um projeto que não vai pra frente.” A primeira impressão do arquiteto português Álvaro Siza, 73, ao receber a encomenda do projeto da nova sede da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, se dissipou completamente agora, em sua etapa final.

Com inauguração prevista para novembro, o prédio -à beira do rio Guaíba, feito em concreto branco, material pouco utilizado no Brasil- foi foco do olhar atento de Siza, que vistoriou em detalhes no início do mês o andamento da obra, sempre ao lado do coordenador da construção no Brasil, o engenheiro José Luiz Canal. “Mies van der Rohe [arquiteto racionalista, 1886-1969] já dizia que Deus está nos detalhes”, disse o arquiteto à Folha, questionado sobre sua obsessão por pormenores da construção, como verificar se a divisão dos ladrilhos dos banheiros está colocada simetricamente com a divisão do piso das salas expositivas.

“Nesta fase, checamos problemas aparentemente sem importância, mas trabalhosos, como a construção dos tetos, que escondem uma floresta de tubos, com condutos de ar, canos e cabos elétricos”, conta. Siza não esconde certa ironia quando defende as poucas janelas do prédio, que motivaram críticas, entre elas a de que o edifício não aproveita a bela paisagem do entorno.

“É evidente que eu não poderia fazer grandes aberturas, porque senão os condutos, muito numerosos, cairiam. As janelas são poucas e aparentemente pequenas, mas enquadram a paisagem em uma vastidão suficiente”, avalia o arquiteto. “No fim do dia, nelas se vê um pôr-do-sol maravilhoso.” Siza diz que as principais dificuldades do local foram o terreno estreito e o espaço restrito para a circulação. “Pensei em como colocaria um estacionamento e onde, ao lado de uma avenida movimentada, seria a carga e a descarga”, conta ele. “A solução foi estender o andar subterrâneo embaixo da avenida e pôr a carga e descarga sem nunca tocar a encosta próxima”, relata.

O arquiteto português destaca a influência da arquitetura brasileira em sua obra, e ela se reflete no novo edifício. “Há uma espécie de abraço dos corredores, como um anel, nas salas expositivas, e há uma energia que se parece com a que eu tive quando descobri a arquitetura brasileira.” O arquiteto vê nomes influentes na área em âmbito internacional, como Paulo Mendes da Rocha, Priztker (espécie de Nobel da arquitetura) no ano passado. “Foi um daqueles prêmios indiscutíveis.”

Livros
A editora Cosac Naify deve publicar, no ano que vem, um livro que documenta todo o projeto da nova sede da Fundação Iberê Camargo, premiado com o Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2002. Estão no cronograma, para 2008, a publicação de outros três livros ficcionais de Iberê.

Trampo bacana

Esse é o trabalho de Marcos Hermes.

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Leia mais na reportagem do Estadão

Que assim sejas

correnteza

Não existe um futuro sem a presença do passado e a vivencia do presente
Não haverá experiência sem o amargo do erro e o sabor do suspense
Para que a branca alma não seja pequena ou branda
Não haverás de remoer dúvidas nem seus problemas
Alimentarás a vida com as perdas que se ganha e olhará tudo sem certezas
E viverás a saúde até a sua morte
Que assim sejas sempre
Serás como não deve ser e sofrerá o medo do caminho incerto
O risco é a chama que ilumina o caminhar
É o vetor que ponteia a roda e que na roda-viva roda o tempo
Viverás para viver a audácia de assim ser
E que assim sejas para sempre.

Correnteza.